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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Morte de Inocentes - Aborto de Anencefalos

Carissímos irmãos Pax et Bonum.

Mais uma vez abrimos espaço para outro assunto além da Sagrada Liturgia. Desta vez é para nos unirmos a todos que defendem a vida, pois estamos a um passo da aprovação do aborto nos casos de anencefalia.

Além de nossas oraçoes, penitencias e jejuns segue outros meios de agir em favor da Vida. Que esta via sacra de inocentes não aconteça em nossa Terra de Santa Cruz.

Ave Maria Immaculata.

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Vitória, filha de Joana Schimitz Croxato e de Marcelo Almeida Croxato, completou dois anos e dois meses de vida recentemente.


1 - TWITAÇO VIGÍLIA - #abortonuncamaisA partir das 18:00 horas do dia 10.04.2012, durante toda a noite e durante todo o dia 11.04.2012, até o término do julgamento no STF




A partir das 9:00 horas, nos dias 10 e 11.04.2012. até o término do julgamento - envio de emails para os Ministros do STF - Emails dos ministros e TEXTOS abaixo


EMAILS DOS MINISTROS
mgilmar@stf.jus.br, mgilmar@stf.gov.br, mcelso@stf.jus.br, mcelso@stf.gov.br, marcoaurelio@stf.jus.br,
marcoaurelio@stf.gov.br, gabinete-lewandowski@stf.gov.br, anavt@stf.gov.br, anavt@stf.jus.br, carlak@stf.gov.br, carlak@stf.jus.br, gabminjoaquim@stf.jus.br, gabcob@stf.jus.br, audienciacarmen@stf.jus.br, audienciasgilmarmendes@stf.jus.br, gabinete-lewandowski@stf.jus.br,
marcoaurelio@stf.jus.br, gabineteluizfux@stf.jus.br, gabmtoffoli@stf.jus.br,






MODELO n. 01 de TEXTO DE EMAIL PARA OS MINISTROS




"Exmo(a) Senhor(a) Ministro(a) do Supremo Tribunal Federal:
1 - Não concordo com a a possibilidade do aborto de bebês anencefálicos e cujo julgamento está marcado para o dia 11 de abril.
2 - A liberação do assassinato de bebês anencéfalos não resolve a principal do problema, apontada pela medicina brasileira: a falta de ácido fólico na época da gestação. Em vez de matar os bebês, melhor será obrigar os governos a dar condição alimentar especial para as gestantes, a partir da fecundação do óvulo.
3 - A liberação do aborto de anencéfalos fere a dignidade humana, pois o bebê apresenta de fato uma má-formação, porém ele não está em morte cerebral. Seguindo o protocolo de definição de morte cerebral para recém nascidos (que, aliás, apresenta particularidades diferentes do protocolo de adultos) não se chega à conclusão de morte encefálica, pois nenhuma técnica pode preencher as exigências legais para comprovar a morte cerebral de um feto vivo, dentro do útero. Inclusive, é de conhecimento público que a Associação Médica dos E.U.A. suspendeu a autorização de doação de órgãos nestes casos, exatamente por não ser possível diagnosticar a morte cerebral das crianças portadoras de anencefalia durante a gravidez ou depois do nascimento, pelo fato de estarem vivas.
4- Não existe risco de morte para a gestante. O argumento de que a gestação de fetos com anencefalia é um risco de morte para a mãe não procede com a literatura da Obstetrícia clássica. Os riscos físicos e para o futuro obstétrico da mãe são menores se houver a espera do desenlace natural da gestação, com acompanhamento médico.
5 - O aborto provocado em qualquer época da gestação é que traz sérios riscos à mãe. Não há base sólida em argumentos médicos e psicológicos para ser solicitada a liberação do aborto no caso de bebês anencefálicos.
6 - É evidente a ingerência de interesses internacionais na liberação do aborto e no uso político das expectativas dessas mães para chegar a esse objetivo.
7 - Por isso, solicitamos de V. Excia que vote NÃO à interrupção da gravidez de bebês com anencefalia, e SIM ao acompanhamento ALIMENTAR, MÉDICO E PSICOLÓGICO das gestantes, as grandes vítimas dessa CULTURA DA MORTE que pretendem implantar no Brasil, com a ajuda da mais Alta CorteBrasileira.
Atenciosamente ......."




MODELO N. 02 DE TEXTO DE EMAIL PARA OS MINISTROS:



Excelentíssimos Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal, antes de julgarem a ADPF 54 sobre o aborto dos bebês anencéfalos, peço leiam o que tenho a dizer:



“...Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte...”

Eu, ________________________________________________, venho por meio desta carta manifestar que sou contrário(a) ao aborto em todas as circunstancias, inclusive nos casos em que o feto é portador de anencefalia.
A vida é o maior dom de que dispomos e não compete a ninguém o poder de tirá-la.
Em um Estado Democrático de Direito, é preciso que seja resguardado o primeiro e mais importante Direito Fundamental, o Direito de Viver, sem o qual não se pode obter os demais direitos à saúde, educação, moradia, alimentação e lazer.
Não pode haver justiça numa decisão que opta por retirar a vida de seres inocentes, que se encontram numa situação de tamanha fragilidade como a dos bebes anencéfalos.
É pela vida do bebê e pelo bem-estar da mãe que lutamos.
O Estado deve zelar pelos cuidados para com a gestante e o bebê providenciando o conforto possível e todos os cuidados paliativos cabíveis, de maneira a aliviar o sofrimento. Além disso, devem ser implementadas medidas preventivas (vide art. 198, inc.II da CRFB/88) no sentido de propiciar a ingestão diária de ácido fólico por parte das mulheres em idade fértil, por ser este um meio comprovadamente eficaz de prevenção às malformações do tubo neural, dentre as quais se encontra a anencefalia ou, como mais corretamente denominada meroanencefalia (ausência parcial do encéfalo).
Defendemos que a mãe possa descobrir a importância do seu papel materno no chamado a amar seu filho, mesmo que ele esteja doente ou tenha pouca expectativa de vida.
A vida, mesmo que breve, merece ser vivida com intensidade e amor.
Esta é uma carta de quem ama a vida e luta para que todos tenham vida e a tenham em abundância.
Atenciosamente,
_____________________________________
(Assinatura)

“NÃO TENHO MEDO DO BARULHO DOS MAUS,
MAIS ME APAVORA O SILÊNCIO DOS BONS!”
Martin Luther King

Participe! A vida humana não tem religião, tem vida humana!
Envie este email para todos os seus conhecidos, amigos, parentes.
Seja você também um defensor da vida humana!
Pastor e Deputado Marco Feliciano - CNBB - Dom Carmo João Rhoden - Dom Luiz Gonzaga Bergonzini - Pe. Mateus Maria - Movimentos Legislação e Vida (S.Paulo) e Pró-Vida e Família (Brasília)
Fonte:http://www.domluizbergonzini.com.br/

terça-feira, 10 de abril de 2012

Reforma da reforma - Mais imagens do Triduo Páscal na Canção Nova

Belas imagens tem circulado os sites na net sobre a nobreza das celebrações no Tríduo Pascal na Canção Nova, mas também não podemos deixar de falar dos cantos em latim e do coral no lugar da "bandinha" de sempre.
  • Paramentos romanos
  • Batina e roquetes pelos acólitos
  • Arranjo beneditino
  • Uma belíssima e espreciva  Cruz de altar
  • E coroando tudo isso a Comunhão dada na boca e de joelhos

Vida longa ao santo Padre!!!

Agora vamos esperar a próxima Missa "do clube da evangelização" na quarta feira pra ver se eles aprenderam.


















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quinta-feira, 5 de abril de 2012

UM CULTO ANTROPOCENTRICO?!

Pax vobiscum.

Hoje que nos celebramos a instituição da Eucaristia, da Santa Missa, o Culto perfeito que é centro na Nova e Eterna Aliança, nós trazemos de volta uma postagem nossa que vai nos ajudar na meditação da atual situação das nossas celebrações. Estamos em processo de continuidade, como o santo Padre tanto tem nos pedido? Ou estamos num grave e quase irreversível processo de ruptura?

Bem, segue o texto. Por fim faça sua análise e tome suas conclusões, mas permaneça com "Pedro".

Ave Maria Immaculata.

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Pax te bonum
Amados em Cristo Jesus, gostaríamos de deixar para vocês uma reflexão.
Por qual motivo nossas celebrações (nosso culto) têm sido tão antropocêntricas? Por que temos dado tamanha importância para o que “o povo gosta”, que quase não falamos naquilo que Deus quer que façamos? Não é que vamos desprezar a comunidade reunida, mas que esta deve esta reunida entorno de Deus e não em torno de si mesmo.
Lembremos que sempre Deus determinou como queria que o adorássemos, foi assim com Abraão, com Moisés, Davi com o templo, até as roupas para esta adoração o Senhor determinou como deveria ser. Nosso Senhor não fez diferente quis se “fizesse” em sua memória, mas uma memória infinitamente maior que recordação, sua perpetuação.
Como bois e bodes já não eram suficientes para placar a “ira”, expressar a adoração do povo ou agradecer pela Sua infinita bondade, Nosso Senhor vem e Ele mesmo nos ensina como devemos lhe prestar culto – oferecendo a Perfeita Vitima, só assim o sacrifício poderia ser realizado uma vez por todas “para remissão dos pecados” já que as vitimas antes oferecidas por mais perfeita que parecesse ser, como mandava a lei, não se aproximava da infinita perfeição D’aquele que recebia o culto. Então Ele mesmo Se oferece, o Santo dos santos, a Vitima verdadeiramente Perfeita Se oferece a Si mesmo no Altar da Cruz. Mas como a humanidade decaída ainda permanecia manchada pelo pecado e com isso continuava pecadora este Supremo Sacrifício deveria permanecer para manter esta humanidade na amizade com Deus “até a consumação dos tempos” até a eterna e triunfante Jerusalém celeste.
“Mais fácil o mundo sem sol que sem o Santo Sacrifício da Missa”S. Padre Pio
É nesta perspetiva que a Sagrada Liturgia da Igreja se desenvolveu de forma orgânica e continuada. Como em outra hora o Santo Espírito de Deus conduziu o povo da antiga aliança, agora conduz e inspira sua Nova Aliança com “todas as gentes” a sua Santa Igreja, sua noiva amada amando-a sem reservas “até a morte de cruz”.

Lembremos que o sacerdote não celebra para o povo, mas com o povo (mesmo que os “espetáculos” que assistimos, na maioria das vezes, é sim um culto para o povo porque tenta agradar o povo e massagear o ego do celebrante que vira popstar. E Deus nessa história?...). Se a intenção é “aplacar” as vontades dos homens este culto se torna idolatria.
Mas hoje nossas celebrações estão centradas no homem, Deus tem perdido lugar até no seu próprio sacrifício, passando a ser mero coadjuvante de algo que realmente parece só um espetáculo ao gosto do cliente.
Para continuarmos esta reflexão deixo um texto sobre a orientação da celebração do livro “A reforma da Liturgia Romana” do Monsenhor Klaus Gamber Fundador do Instituto Litúrgico de Ratisbona, cuja postura em defesa da Sagrada Liturgia o Cardeal Ratzinger nominava de “intrepidez de uma verdadeira testemunha”
Peço que os irmãos leiam com muita calma, já que o texto é um tanto longo, mas se possível imprimam para ler com todo zelo e em espírito orante.
Que a Virgem do Carmelo vos acompanhe nesta leitura.
Ave Maria Immaculata


A CELEBRAÇÃO DE FRENTE PARA O POVO

Do ponto de vista litúrgico e sociológico

Em suas “Richtlinien für die Gestalung des Gotteshauses aus Geist des rómischen Liturgie”
Instruções para a adaptação das igrejas ao espírito da liturgia romana) de 1949, Th. Klauser adianta que “certos sinais deixam entrever que, na Igreja do futuro, o sacerdote se colocará como antes, detrás do ltar, e celebrará com o rosto voltado para o povo, como se faz ainda em certas basílicas romanas; o desejo, que se percebe por todas as partes, de ver mais claramente expressada a comunidade da mesa eucarística, parece exigir esta solução”.
Isto que Klauser apresentava então como algo desejável se converteu, passado o tempo, em norma em quase todas as partes. Pensa-se ter feito reviver um costume da Igreja primitiva. Entretanto, como vamos ver, pode-se provar com toda a certeza que jamais existiu, nem na Igreja do Oriente, nem na do Ocidente, uma celebração “versus populum”, mas que unicamente todos se voltavam para o Oriente para orar.
Foi Martinho Lutero o primeiro a pedir que o sacerdote no altar se voltasse para o povo. Mas pelo que se sabe, nem ele mesmo obedeceu a esta exigência, e somente algumas das Igrejas protestantes o adotaram, sobretudo entre os reformados. Só recentemente a celebração “versus populum” se converteu num costume quase geral na Igreja Romana, enquanto que as Igrejas Orientais, e com freqüência também as comunidades protestantes, continuam com a prática existente até agora. Na Igreja Oriental, o costume de celebrar “versus populum” nunca existiu, nem existe uma palavra para designá-la. O espaço diante do altar suscita o máximo respeito. Só o sacerdote (e ao seu lado o diácono) tem direito de estar ali. Detrás da iconostase só o sacerdote tem o direito de passar diante do altar.
É de notar que, na concelebração, que, como é sabido, goza no Oriente de uma grande tradição, o celebrante principal normalmente dá as costas à assembléia, enquanto que os sacerdotes concelebrantes se colocam diante do altar e à sua esquerda. Nunca se colocam detrás do altar (o lado do Oriente). Não é necessário precisar que se trata quase sempre de uma concelebração “cerimonial”, tradicional e muito corrente no Oriente até hoje, no transcurso da qual os sacerdotes que rodeiam o celebrante principal (o bispo), não pronunciam com este as palavras da consagração. Por isto e no sentido estrito da palavra, há um só celebrante. O costume de celebrar de frente par o povo apareceu entre nós nos “Jugendbewegung” pelos anos vinte, quando se começou a celebrar a eucaristia no seio de grupos pequenos. O movimento litúrgico e, antes dele, Pius Parsch, propagaram este costume. Acreditavam reviver assim uma tradição da Igreja primitiva, pois tinham observado que, em algumas basílicas romanas, o altar também estava voltado “versus populum”. Porém não se deram conta de que nestas basílicas, contrariamente a outras igrejas, a abside não estava no Oriente, mas a entrada.
Na Igreja primitiva e na Idade Média, o que determinava a posição com relação ao altar era poder voltar-se para o Oriente durante a oração. Por isso Santo Agostinho declara: “Quando nos levantamos para orar, nos voltamos para o Oriente, ali de onde sol se levanta. Não como se Deus estivesse ali e tivesse abandonado as outras regiões do universo, (...) mas com o objetivo de exortar o espírito a se voltar para uma natureza superior, a saber, Deus”. Estas palavras do Africano mostram que, depois da homilia, os cristãos se levantavam para a oração que seguia e se voltavam para o Oriente. Santo Agostinho não cessa de mencionar ao fim de suas alocuções este costume de voltar-se para o Oriente para orar, utilizando sempre, a modo de fórmula, a expressão “conversi ad Dominum”, (voltados para o Senhor).
Em seu livro fundamental “Sol salutis”, Dölger está persuadido de que a resposta do povo “Habemus ad Dominum” ao convite do celebrante “Sursum Corda”, significa também que estão voltados para o Oriente; tanto mais que em certas liturgias orientais se tem previsto nesse mesmo tempo um convite do diácono para que se faça este giro. É o caso da liturgia copta de São Basílio onde, no princípio da anáfora, se diz: “Aproximai-vos, homens, ponde-vos de pé com respeito e olhai para o Oriente!”, ou também na liturgia egípcia de São Marcos, onde existe um convite semelhante (“Olhai para o Oriente”) colocada no meio da oração eucarística, antes da transição do “Sanctus”. A breve descrição da liturgia dada pelo segundo livro das “Constituições apostólicas” do final do séc. IV, prescreve também o colocar-se de pé para a oração e que se voltem para o Oriente. No livro oitavo se encontra reproduzido o convite que o diácono faz: “Ponde-vos de pé para o Senhor!”. Por conseguinte voltar-se para o Senhor ou para o Oriente era a mesma coisa para a Igreja primitiva.
Como Dölger demonstrou, o costume de orar em direção ao sol nascente remonta a tempos imemoráveis e era costume tanto entre os judeus como entre os pagãos. Os cristãos rapidamente o adotaram. Assim, desde o ano 197, a oração para o Oriente é coisa evidente para Tertuliano. Em seu “Apologética” (cap.16) afirma que os cristãos “oram em direção ao sol nascente”. Isto era considerado um simbolismo do Senhor subindo ao céu, de onde voltará. Para que os raios do sol nascente pudessem penetrar na igreja durante a celebração da missa, em Roma e às vezes em outros lugares, dispuseram a entrada da Igreja para o leste, devendo deixar as portas abertas; então a oração se fazia obrigatoriamente em direção à porta. Neste caso, como já temos dado a entender, o celebrante se situava atrás do altar para poder, durante o sacrifício, dirigir o olhar para o Oriente. O que não significava, como se poderia crer, uma celebração “versus populum”, já que os fiéis se voltavam também para o Oriente para orar. Não havia, pois, nestas basílicas um cara a cara do sacerdote e do povo durante a celebração eucarística. O povo se colocava de ambos os lados da nave, os homens de um lado e as mulheres de outro e geralmente se colocavam cortinas entre as colunas. A nave servia para a entrada solene do celebrante e seus acólitos; também o coro tinha seu lugar reservado.
Mesmo porém no caso hipotético de que nas antigas basílicas romanas os fiéis não estivessem voltados para a entrada durante a oração sacrifical, de modo algum teria existido um cara a cara do sacerdote e do povo, já que o altar estava escondido por cortinas durante a oração eucarística. E estas não eram abertas de novo, segundo testemunho expresso de São João Crisóstomo, até a litania diaconal. Assim, nas basílicas onde a entrada, e não a abside, se encontrava ao leste, os fiéis não tinham o rosto voltado para o altar. Tampouco lhe davam as costas, o que, segundo a concepção antiga, seria impossível, dada a santidade do altar. Como os fiéis estavam nas naves laterais, tinham o altar à sua direita ou à sua esquerda. Formavam, aberto ao Oriente, um semicírculo, em cuja parte mais alta se situava o celebrante e seus assistentes.
E o que acontecia nas igrejas onde a abside estava ao oriente? Isso dependia do lugar onde se situavam os assistentes à missa. Se rodeavam o altar, situado na abside, formando um semicírculo, osemicírculo se abria para o Oriente. O liturgo34 simplesmente não se colocava na parte alta do semicírculo, mas em seu centro. Destacava-se assim mais visivelmente dos outros participantes. Por outro lado, na idade média, o povo se colocava quase sempre na nave central da igreja, servindo as laterais para as procissões. Esta disposição detrás do sacerdote celebrante comportava um elemento dinâmico, como se o povo de Deus avançasse em cortejo rumo à terra prometida.
A orientação indicava a meta do cortejo: o Paraíso perdido que se buscava para o leste (cf. Gn 11,8). O celebrante e seus assistentes formavam a cabeça do cortejo. O semicírculo aberto, que foi a primeira disposição para a oração dos assistentes à missa, manifestava, ao contrário da dinâmica da procissão, um princípio estático: a espera do Senhor que subiu ao céu na direção do Oriente (cf. Sl 67,34) e que regressará (cf. At 1,11). O semicírculo aberto estava pensado para isto: quando se espera a uma personalidade importante, se abrem as filas e se forma assim um semicírculo para acolher em seu centro aquele que se espera.
São João Damasceno expressa a mesma idéia em seu “De fide orthodoxa”, IV,12: “Quando ele subiu aos céus, foi elevado para o oriente, e dessa forma os discípulos o adoraram, e assim ele retornará, do mesmo modo que eles o viram subir ao céu (cf. At 1,11), como o Senhor mesmo disse: ‘Porque, como o relâmpago parte do oriente e ilumina até o ocidente, assim será a volta do Filho do Homem’ (Mt 24,27).
Esperando por ele, prostramo-nos voltados para o Oriente. Isto é uma tradição não escrita, derivada dos Apóstolos35. É verdade que o homem moderno, como diz Nussbaum, quase não entende que se tenha que voltar para o Oriente para rezar. O sol nascente não tem para nós a mesma força simbólica que tinha para o homem da antigüidade. Em troca, é diferente quando se trata de tomar uma mesma orientação pelo sacerdote e o povo quando rezam a Deus. Que todos os fiéis devam estar, segundo as palavras de Santo Agostinho citadas anteriormente, “conversi ad Dominum”, é evidentemente uma exigência atemporal e tem, ainda hoje, um sentido. Como diz Kunstmann, isto vem a ser “buscar com o olhar o lugar onde se encontra o Senhor”.
Vamos para o aspecto sociológico da celebração “versus populum”. Em sua obra 36“Liturgie als Angebot” (A liturgia à venda?), pensa que o sacerdote voltado para o povo se pode considerar como “o símbolo mais perfeito do novo espírito da liturgia”. E acrescenta: “o costume em uso até há pouco fazia o sacerdote parecer chefe e representante da comunidade, que fala a Deus em nome dela, como Moisés no Sinai: a comunidade dirige uma mensagem a Deus (oração, adoração, sacrifício) e o sacerdote, como chefe, transmite esta mensagem e Deus a recebe”.
Com a prática moderna, continua Siebel, o sacerdote olhando para o povo “praticamente já não aparece como representante da comunidade, mas apenas como um ator que, em todo caso na parte central da Missa, representa o papel de Deus, um pouco como em Oberammergau ou outras representações da Paixão”. E conclui: “todavia se nessa nova maneira o sacerdote se converte num ator, encarregado de interpretar Cristo em seu cenário, então Cristo e o sacerdote parecem, por causa desta restituição teatral da ceia, identificar-se um com o outro de maneira um tanto inaceitável”. Siebel explica assim a boa vontade com a qual quase todos os sacerdotes adotaram a celebração “versus populum”: “a desorientação considerável e a solidão dos sacerdotes fez-lhes buscar novos motivos onde apoiar seu comportamento. Entre estes o suporte emocional, a comunidade reunida diante do sacerdote e que o procura. Porém imediatamente brota daí uma nova dependência: a do ator diante do seu público”.
O mesmo, K. G. Rey declara em seu estudo “Pubertütserscheinungen in der katholischen Kirche” (Manifestações púberes37 na Igreja católica): “até então o sacerdote oferecia o sacrifício como intermediário anônimo, como cabeça da comunidade, voltado para Deus e não para o povo, em nome de todos e com todos; as orações que recitava lhes eram prescritas... hoje em dia este sacerdote vem ao nosso encontro como um homem, com suas particularidades humanas, seu estilo de vida pessoal e seu olhar voltado para nós. Para muitos sacerdote é uma tentação, contra a qual não são capazes de lutar, a de vender sua própria personalidade. Alguns sabem, com maior ou menor astúcia, explorar a situação em seu proveito. Suas atitudes, sua mímica, seus gestos, todo o seu comportamento atrai os olhares sobre eles por suas repetidas observações, diretivas e também pelas suas palavras de acolhida ou de despedida... O êxito que assim conseguem constitui para eles a medida de seus poderes e conseqüentemente a norma de sua segurança”.
Em sua obra “Liturgie als Angebot”, Siebel declara todavia, a propósito do desejo de Klauser citado mais acima, de ver “mais claramente expressada a comunidade da mesa eucarística” pela celebração “versus populum”: “A reunião da assembléia ao redor da mesa da Ceia (desejada por Klauser) pouco contribui para reforçar a consciência comunitária. Com efeito, somente o celebrante se encontra diante da mesa e, além disso, de pé. Os outros participantes do ágape estão sentados mais ou menos longe na sala do espetáculo”. Ainda mais, segundo Siebel: “Como regra geral, a mesa está posta longe dos fiéis, sobre um estrado, de maneira que não é possível fazer reviver os estreitos laços que existiam na sala onde ocorreu a Ceia. O sacerdote que interpreta seu papel voltado para o povo dificilmente consegue deixar de dar a impressão de representar um personagem que, com toda cortesia, tem alguma coisa a nos propor.
Para diminuir esta impressão cuidou-se de colocar o altar no meio da assembléia. Então não se tem necessidade de ver somente o sacerdote, pois assim se podem ver os assistentes sentados a seus lados ou diante dele. Porém, ao colocar o altar no meio dos fiéis, desaparece a distância entre o espaço sagrado e a assembléia. O recolhimento que antes nascia da presença de Deus na igreja se transforma num pálido sentimento que em nada se diferencia do cotidiano”.
Colocando-se atrás do altar, o olhar voltado para o povo, o sacerdote se converte, do ponto de vista sociológico, num ator, que depende totalmente de seu público e num comerciante que tem algo a vender. E se lhe falta habilidade pode chegar a parecer um charlatão. Outra coisa é a proclamação do Evangelho. Esta proclamação supõe que o sacerdote e o povo estejam cara a cara. Esta é a causa pela qual nas antigas basílicas que tinham a entrada ao leste, os fiéis estavam voltados para a abside (oeste) durante a liturgia da palavra. Ao proclamar a palavra de Deus, o sacerdote aparece realmente como o que tem algo a oferecer.
Durante a homilia, o sacerdote se volta para o povo e o mesmo para o leitor, que deve estar voltado para a assembléia para a leitura das Sagradas Escrituras; o que nem sempre se pôs em prática, certamente por respeito à palavra de Deus.
Todavia, como temos dito, as coisas se apresentam completamente de outra forma na celebração eucarística propriamente dita. Aqui a liturgia não é uma “oferta”38, mas um acontecimento sagrado no curso do qual se unem os céus e a terra e o Deus da graça se inclina a nós. Por isto, para orar, o olhar dos assistentes e do celebrante devem se dirigir para o Senhor. Só no momento da distribuição da comunhão, a ceia eucarística em seu verdadeiro sentido, se dá um cara a cara entre o sacerdote e o comungante. Precisamente estas mudanças na posição do sacerdote no altar durante a missa, têm um sentido simbólico e sociológico verdadeiro. Quando o sacerdote ora e sacrifica tem, como os fiéis, os olhos postos em Deus; e quando proclama a palavra de Deus ou distribui a Eucaristia se volta para o povo. Este principio até agora tinha sido observado constantemente; mas, sobretudo por razões teológicas, sobreveio uma mudança na Igreja romana. O futuro mostrará as graves conseqüências desta mudança.

34 NT. Pelo contexto = sacerdote celebrante.
35 NT. Tradução já feita por mim anteriormente, já que o mesmo trecho é citado pela Instrução para a aplicação das prescrições litúrgicas do Código de Cânones das Igrejas Orientais, do Vaticano. 36 NT. O que segue até “algo a vender”, na página seguinte, é exatamente o trecho de Gamber na Décima primeira pergunta, da obra “Voltados para o Senhor”, também traduzida por mim.
37 NT. No sentido de pré-adolescentes, pueris.
38 NT. No sentido de oferta para a assembléia, por parte do sacerdote.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pode o Sacerdote ouvir confissões na sexta-feira e sabado santo?

  Caros Irmão, Pax et Bonum.
Estamos trazendo novamente este artigo que publicamos na quaresma do ano passado, pois
temos constatado que ainda se mantém as mesmas duvidas em relação ao Sacramento da Penitência (Confissão) e sua celebração na Sexta Feira da Paixão e no Sábado Santo. E infelizmente temos visto que tem havido, também, um esforço por manter os fieis na ignorância e assim eles não possam recorrer o que lhes é de direito.
Por isso, caros irmãos, divulguem este artigo o máximo possível, pois além de direito dos fies é também uma fonte de grande espiritualidade a celebração da Penitência durante a Semana Santa e sobre tudo na Sexta feira da Paixão e no Sábado Santo, dias penitenciais por excelência.

Ave Maria Immaculata.