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terça-feira, 15 de abril de 2014

AS EXCELÊNCIAS DA SANTA MISSA

EXCELÊNCIA, NECESSIDADE E VANTAGENS DO SANTO SACRIFÍCO DA MISSA

Grande paciência é necessária para suportar a indiferença, que a maioria dos batizados na Igreja Católica têm pela Santa Missa: eles rescendem ateísmo e são o veneno da pieda...
de. Pensam eles: “Uma missa a mais, uma missa a menos, que importa... Já é bastante ouvir a missa nos dias de festa. A missa de tal padre é uma missa de semana santa: quando ele surge no altar eu fujo da igreja”.
 

Esses que assim falam deixam perceber claramente que pouca ou nenhuma estima têm pelo santíssimo Sacrifício da Missa.

Sabeis que, na realidade, a Santa Missa? É o sol da cristandade, a alma da Fé, o centro da religião Católica apostólica com a sede em Roma, a que tendem todos os seus ritos, todas as suas cerimônias, todos os seus sacramentos. É uma palavra, A ESSÊNCIA DE TUDO O QUE HÁ DE BOM E BELO NA IGREJA DE DEUS.

Por isso caros leitores meditem bem tudo que vou dizervos nesta instrução...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A Carta de Paix Liturgique - À CONVERSA COM MONS. SAMPLE


O congresso internacional «Sacra Liturgia 2013», que teve lugar de 25 a 28 de Junho, em Roma, deu a oportunidade a dois cardeais e a três bispos de poderem contribuir para o debate sobre a liturgia e sobre a reforma litúrgica, juntamente com sacerdotes, religiosos e leigos. Um deles era Mons. Alexander Sample, antigo bispo de Marquette, no Michigan, e agora bispo de Portland, no Oregon. Além de vir participar na conferência pensada pelo bispo de Toulon, Mons. Rey, a verdade é que Mons. Sample viajou até Roma para receber o pálio das mãos do Papa Francisco, no dia da solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo. A sua ampla experiência de pastor permitiu-lhe fazer uma intervenção esclarecedora e muito apreciada sobre: “O bispo: regente, promotor e guardião da vida litúrgica da diocese”.


I – RESUMO DA INTERVENÇÃO DE MONS. SAMPLE NO CONGRESSO “SACRA LITURGIA”


O objectivo da conferência de Mons. Sample era o de proporcionar uma reflexão sobre a conduta de um bispo na própria diocese à face dos textos do Concílio Vaticano II que definem o seu papel e, em particular, a consideração das três funções que lhe são próprias: "munus docendi, munus liturgicum, munus regendi" (a função de ensinar, o culto divino e o governo pastoral).

Nos documentos conciliares, o bispo é chamado de “sumo sacerdote” e “sumo pastor das ovelhas” que lhe estão confiadas. Mesmo se a sua função relativa à liturgia não é alvo de tratamento explícito, de maneira implícita sublinha-se o quanto a liturgia do bispo é, e deve ser, exemplar, de modo especial, a que ele celebra na sua Catedral. Uma tal liturgia deverá ser exemplar para os sacerdotes e para os fiéis da diocese, e essa prática há-de ser depois imitada nas paróquias, na fidelidade às normas litúrgicas e com a consciência da beleza que deve acompanhar a adoração divina.

Mons. Sample citou então o n. 26 de Lumen Gentium a fim de ilustrar que é ao bispo que “foi confiado o encargo de apresentar à Majestade divina o culto e a religião cristã, de a regular segundo os preceitos do Senhor e as leis da Igreja, às quais lhe caberá juntar, no âmbito da sua diocese e segundo o seu juízo particular, determinações ulteriores”. O decreto Christus Dominus, relativo à missão pastoral dos bispos no seio da Igreja recorda que “Cristo deu aos Apóstolos e aos seus sucessores o mandato e o poder de ensinar todas as gentes, de santificar os homens na verdade e de guiar o rebanho”.

O cânone 392 do Código de Direito Canónico também afirma de modo igualmente claro que o bispo, por isso que deve “preservar a unidade da Igreja universal”, é chamado a vigiar para que “não se introduzam abusos na disciplina eclesiástica, particularmente no concernente ao ministério da palavra, à celebração dos sacramentos e sacramentais, ao culto de Deus e dos Santos, e ainda à administração dos bens”. Além disso, é também uma sua responsabilidade velar para que os sacerdotes, diáconos e leigos possam penetrar cada vez mais profundamente no significado dos ritos e textos litúrgicos. A dignidade e a beleza dos santuários, assim como a música e a arte sacra, deverão também ajudá-lo na prossecução deste objectivo.

Mons. Sample estima que uma das funções mais importantes dos bispos é aquela que vem delineada em Apostolorum Successores, o directório para o ministério pastoral dos bispos (§142): “O Bispo deve considerar como seu ofício próprio antes de mais o de ser o responsável pelo culto divino e, em vista desta função, exercerá as outras tarefas de mestre e de pastor. De facto, a função santificadora, embora estreitamente unida pela sua própria natureza aos ministérios de magistério e de governo, distingue-se enquanto especificamente exercida na pessoa de Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, e constitui o ponto culminante e a fonte da vida cristã.” O bispo age in persona Christi capitis, e assim em particular na liturgia.

Depois desta convincente exposição sobre a missão e a responsabilidade episcopais em matéria de liturgia, o arcebispo recorreu à sua experiência de pastor da diocese de Marquette (Michigan, Estados Unidos) para ilustrar como se pode passar à prática.

De acordo com o que prevêem textos do Concílio, o bispo deverá santificar a sua diocese (munus liturgicum ou sanctificandi), nomeadamente através da liturgia, e fá-lo-á dando-lhe uma certa orientação. A sua liturgia deverá ensinar com o exemplo. Demasiados abusos litúrgicos são justificados dizendo: “Vimos isso na Catedral! As liturgias terra-a-terra, infelizmente, são muito mais frequentes do que gostaríamos de admitir. Em Portland, hoje, como em Marquette, ontem, o que Mons. Sample deseja é tão simplesmente que os fiéis e os sacerdotes sigam o exemplo que ele dá e possam proclamar, enchendo-o de alegria: “É assim que faz o bispo.”

O segundo aspecto do ministério do bispo é o seu dever de ensinar (munus docendi). Aliás, ele próprio vê-se a si mesmo como o guia da renovação litúrgica na sua diocese, já que, segundo nos diz, é preciso explicar de novo aos sacerdotes e aos leigos as normas litúrgicas: “Estou cada vez mais convencido de que, hoje em dia, uma grande parte dos problemas relativos à celebração da liturgia, e sobretudo no que diz respeito à Santa Missa, vem da ausência profunda e generalizada de uma compreensão da natureza e do significado interior da própria liturgia.” Para dar remédio a isso, o bispo deverá utilizar todos os meios que estejam à sua disposição, seja pelo conselho seja através de publicações diocesanas e, nomeadamente, usando o site internet da diocese. É evidente que não se pode esperar uma mudança da noite para o dia. Deve-se contar com anos, senão mesmo decénios, de uma boa catequese.

Por fim, o bispo exerce também o munus regendi, a direcção do rebanho. Para lutar contra os abusos, deve ele próprio evitar infringir as leis litúrgicas. Cumpre-lhe a responsabilidade de se certificar, com paciência e compreensão, que as normas litúrgicas estão a ser respeitadas pelos seus sacerdotes. “Estou convencido de que aquilo que poderíamos chamar de ‘boa liturgia’ começa pela fidelidade inabalável às normas litúrgicas estabelecidas pela autoridade competente”, asseverou. Para garantir esta fidelidade, deve-se corrigir os abusos litúrgicos, e se necessário, uma e outra vez. Frequentemente, não se trata de uma desobediência voluntária por parte dos sacerdotes ou dos fiéis, mas de uma má compreensão. Mons. Sample advoga ainda à publicação por parte dos bispos preocupados com a liturgia, de uma carta pastoral sobre o tema, reforçada por um apelo a uma melhor catequese litúrgica e à elaboração de directivas práticas (por exemplo, quanto à música nas igrejas).

O último ponto que Mons. Sample quis sublinhar, e que não constava do texto fornecido previamente aos tradutores, foi o facto de ver na forma extraordinária uma contramedida eficaz em face das más práticas litúrgicas. Segundo ele, a “reforma da reforma” desejada por Bento XVI passa por um maior conhecimento e por conseguinte, uma mais ampla difusão, da antiga forma do rito romano. Se a forma ordinária é chamada a reorientar-se com base nos documentos conciliares, ela precisará de uma bússola e de um modelo. Ora, segundo o arcebispo de Portland, este modelo é a liturgia tradicional. Na opinião dele, os bispos que querem contribuir para a renovação da Igreja deverão familiarizar-se com a forma extraordinária do rito romano.

Em Marquette, Mons. Sample tinha permitido a forma extraordinária, e ao fazê-lo deu resposta às aspirações das suas ovelhas. Acima de tudo, como pastor, e antes mesmo de fixar os lugares de culto para a forma extraordinária, reivindicou o direito de a celebrar ele mesmo na sua Catedral.


Mons. Sample em Roma, no congresso "Sacra Liturgia"


II – ENCONTRO EXCLUSIVO COM MONS. SAMPLE

Por ocasião da sua vinda a Roma para o congresso, Mons. Sample teve a gentileza de nos conceder alguns minutos para uma breve entrevista.


1) Quando se olha para o catolicismo americano a partir da Europa, fica-se com a sensação de que a questão litúrgica não assume aí um aspecto ideológico. É assim?

Mons. Sample
: Eu não vivo aqui, na Europa, mas a julgar pelas informações que consegui recolher junto dos participantes do congresso, de facto, fico com a impressão de que há uma maior abertura à forma extraordinária do rito romano nos Estados Unidos. Pode ser que muitos não a queiram ou não tenham gosto por ela, mas não fazem disso um “casus belli” (“caso de guerra”, n.d.r.) e aceitam-na, mesmo que não fiquem contentes. Tenho a impressão de que as pessoas que aqui pude encontrar deparam com mais dificuldades nas suas próprias dioceses para conseguirem a forma extraordinária.


2) Crê que o Motu Proprio Summorum Pontificum foi aplicado na sua anterior diocese (Marquette) da maneira que Bento XVI o desejava?

Mons. Sample
: Diria que sim. Quando pediram a sua aplicação, o bispo (que era eu) tratou de que as pessoas fossem atendidas. Nessa diocese rural, chegámos a ter três paróquias que introduziram a forma extraordinária na sua liturgia. E isso veio de um autêntica procura por parte da população. No momento da publicação do Motu Proprio, o Santo Padre convidou os bispos a serem mais generosos com os fiéis. Foi o que tentei fazer no meu cargo anterior. Hoje, em Portland, onde cheguei apenas no início do ano, ainda tenho de tentar saber qual é a procura dos fieis.


3) Na opinião de V. Ex.a, como é que se pode alcançar a paz litúrgica?

Mons. Sample
: Ora aí está a questão! De facto, fica-se muitas vezes com a impressão de que a liturgia é um campo de batalhas, não acha? Se penso no que vivi, indo mesmo até aos meus anos de seminário, a experiência de quase toda a minha vida sacerdotal é a de que aquilo que mais nos devia unir é precisamente o que mais nos divide. É realmente muito triste! Creio que esse facto é um grande peso no coração de Nosso Senhor, para empregar um termo antropológico, isto é, o facto de ver que o dom de Si próprio, que nos deixou na Eucaristia, se tornou em motivo de divisão entre os seus discípulos, mesmo no seio da Igreja Católica.

A paz litúrgica está em se aceitar tudo o que a Igreja nos deu, em todas as suas formas. Mesmo em se tratando da forma extraordinária, devemos aceitá-lo. Como nos explica o Santo Padre no Motu Proprio e na Instrução Universae Ecclesiae, a forma ordinária continua a ser ordinária. Quando formos capazes de receber tudo o que a Igreja nos oferece e de o aceitar tal e qual, então sim, poderemos aproximar-nos da paz litúrgica. Já se ficarmos demasiado apegados às nossas preferências e aos nossos gostos, nesse caso estaremos a abandonar a recta via

Fonte: Paix Liturgique 


sábado, 21 de julho de 2012

Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano em Maceió - AL

Ave fratres,

Estamos iniciando, na diocese de Maceió - Al, um grupo de estudos da Sagrada Liturgia. Já contamos com um sacerdote, Rev. Pe. Erico Falcão, para darmos assistência e também celebrar para nós a Santa Missa na forma Extraordinária, como podem ver nas fotos do nosso ultimo encontro que estão a baixo.
   
Temos a imensa alegria de ter mais dois sacerdotes que estão sentindo desejo de aprender o rito.

Enfim, pedimos vossas orações por nosso grupo e também por nossos padres para que este tesouro da santa Igreja seja colocado a disposição de todo povo de Deus presente na igreja de Maceió.

Ave Maria Immaculata.





















segunda-feira, 18 de junho de 2012

MONS. SCHNEIDER E A LITURGIA:HORIZONTES PARA O 3º MILÉNIO


MONS. SCHNEIDER E A LITURGIA:
 HORIZONTES PARA O 3º MILÊNIO

Caros irmãos,

A excelente Pax Liturgique publicou em sua carta 27 um grande texto de D. Athanasius Schneider que trazemos a baixo e postaremos em duas partes para que os irmãos possam ler-lo calmamente e retirar destas reflexões lições para nosso apostolado em favor da Sagrada Liturgia.

Ave Maria Immaculata.


Dom Athanasius Shneider

"Quanto mais, durante as celebrações eucarísticas, os fiéis procurarem em verdade a glória de Deus e não a glória dos homens, nem procurarem receber a glória uns dos outros, mais Deus os honrará, deixando que a sua alma participe mais intensamente da Glória e da Honra da Sua vida divina."
D. Athanasius Schneider
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Parte 01

A 15 de Janeiro de 2012, a associação parisiense “Réunicatho”, nascida logo após o Motu proprio Summorum pontificum, organizou o seu 4º encontro para a unidade católica. Reproduzimos a seguir, na íntegra, o texto da intervenção do convidado de honra desta jornada, o Mons. Athanasius Schneider (1), sobre o tema “A Forma Extraordinária e a Nova Evangelização”.


***

(os títulos são da redação)

I – Voltar o nosso olhar para Cristo

Para se falar corretamente sobre a nova evangelização, é indispensável que, antes de mais, voltemos o nosso olhar para Aquele que é o verdadeiro evangelizador, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o Verbo de Deus feito Homem. O Filho de Deus veio a esta terra para expiar e resgatar o maior dos pecados, o pecado por excelência. E este que é o pecado por excelência da humanidade consiste na recusa de adorar a Deus, na recusa de reservar para Ele o primeiro lugar, o lugar de honra. Este pecado dos homens consiste no facto de não se prestar atenção a Deus, no facto de já não se ter o sentido das coisas, isto é, daqueles detalhes que têm a ver com Deus e com a adoração que Lhe é devida, no facto de não se querer ver Deus, no facto de não se querer ajoelhar diante de Deus.

Perante tal atitude, a Encarnação é algo de incomodo, como igualmente incomoda é, por consequência, a presença real de Deus no mistério eucarístico, e incômoda, a centralidade da presença eucarística de Deus dentro das igrejas. A verdade é que o homem pecador se quer pôr a ele próprio no centro, e tanto no interior da igreja como durante a própria celebração eucarística; ele quer ser visto, quer ser notado.

É por essa razão que a Jesus eucaristia, Deus encarnado presente no sacrário sob a forma eucarística, muitos preferem colocá-Lo de lado dentro do espaço da igreja. É incomoda até mesmo a representação do Crucificado ao centro do altar durante a celebração eucarística feita face ao povo é incomoda, porque o rosto do sacerdote acabaria por ficar tapado. E assim, é incômodo ter ao centro do altar tanto a imagem do Crucificado como Jesus eucaristia no sacrário. A consequência é que a cruz e o sacrário são deslocados para o lado. Durante a celebração, é preciso que quem assiste possa observar continuamente a cara do padre, e este sente prazer em se colocar literalmente no centro da casa de Deus. E se, ainda assim, acontecer por acaso que Jesus eucaristia seja deixado ao centro do altar, porque o Ministério dos Monumentos Históricos, mesmo em regimes ateus, proibiu que se o deslocasse por razões ligadas à conservação do patrimônio artístico, mesmo então, é frequente que durante toda a celebração o sacerdote lhe vire as costas sem escrúpulos.

Quantas não serão as vezes em que os bravos fiéis adoradores de Cristo, na sua simplicidade e humildade, terão já exclamado: «Benditos sejais vós, Monumentos Históricos! Pelo menos, deixastes-nos Jesus no centro da nossa igreja.»


II – A missa para dar glória a Deus e não aos homens

Só a partir da adoração e da glorificação de Deus é que a Igreja pode anunciar de maneira adequada a palavra de verdade, isto é, evangelizar. Antes que o mundo tivesse podido escutar Jesus, o Verbo eterno feito carne, pregar e anunciar o reino, Jesus calou-se e adorou durante trinta anos. É essa para sempre a lei para a vida e para a acção da Igreja, e é também a lei de todos os evangelizadores. «É na maneira de tratar a liturgia que se decide a sorte da Fé e da Igreja», disse o Cardeal Ratzinger, nosso actual Santo Padre, o Papa Bento XVI. O Concílio Vaticano II queria precisamente lembrar à Igreja qual a realidade e o acto que devem ocupar o primeiro lugar na sua vida. É justamente por isso que o primeiro documento conciliar foi consagrado à liturgia. Quanto a isto o concílio dá-nos os seguintes princípios: na Igreja, e por isso mesmo, na liturgia, o humano deve orientar-se pelo divino e estar-lhe subordinado, tal como o visível relativamente ao invisível, a acção à contemplação, e o presente à cidade futura a que aspiramos (cf. Sacrosanctum Concilium, 2). A nossa liturgia terrestre participa, como o diz o ensinamento de Vaticano II, de um pré-saborear da liturgia celeste da cidade santa de Jerusalém (cf. idem, 2).

Por isso, tudo na liturgia da Santa Missa deverá servir para se exprimir de maneira mais clara a realidade do sacrifício de Cristo, isto é, as orações de adoração, agradecimento, expiação e súplica, que o Sumo Sacerdote eterno apresentou a Seu Pai.

O rito e todos os detalhes do Santo Sacrifício da missa devem girar sobre o eixo da glorificação e da adoração de Deus, insistindo sobre a centralidade da presença de Cristo, seja isto no sinal e na representação do Crucificado, ou na Sua presença eucarística no sacrário, e sobretudo no momento da consagração e da sagrada comunhão. Mais se respeita isto e menos o homem estará no centro da celebração, menos a celebração se assemelhará a um círculo fechado, antes se abrindo, e também de modo exterior, a Cristo, qual procissão que se dirige a Ele com o sacerdote à frente; quanto mais uma tal celebração litúrgica vier a reflectir de maneira verdadeira o sacrifício de adoração de Cristo na cruz, mais ricos serão os frutos que os participantes receberão na própria alma, vindos da glorificação de Deus, e mais Deus os honrará.

Quanto mais, durante as celebrações eucarísticas, os fiéis procurarem em verdade a glória de Deus e não a glória dos homens, nem procurarem receber a glória uns dos outros, mais Deus os honrará, deixando que a sua alma participe mais intensamente da Glória e da Honra da Sua vida divina.

Nos dias de hoje e em vários lugares da terra, são numerosas as celebrações da Santa Missa a propósito das quais se poderiam dizer as seguintes palavras, invertendo as palavras do Salmo 113, versículo 9: «A nós, Senhor, e ao nosso nome a glória». Mais ainda: também a essas celebrações litúrgicas se poderiam aplicar estas palavras de Jesus: «Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que é só de Deus?» (Jo 5, 44).

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Continua no próximo post...

SANTA MISSA NA FORMA EXTRAORDINÁRIA DO RITO ROMANO EM MACEIÓ-AL

   CONVITE

Caríssimos irmãos,


O Rev. Pe. Erico Falcão tem travado uma verdadeira luta em nossa diocese modernista e extremamente disprovida de espiritualidade, mas ele tem continuado e, com o auxilio da Grande Mãe de Deus, vencido.


Rev. Pe Erico Falcão oferecendo o Santo Sacrificio na igreja de S. Benedito
na forma Extraordinária do Rito Romano


      Mas esta riqueza da santa Igreja precisa urgentemente ser conhecida pelo povo, que em sua grande maioria acha que a Santa Missa se resume aos pseudos shows carismáticos ou cultos inculturados que assolam nossos altares, apesar de que temos uns pouquíssimos padres que rezam o rito ordinário com zelo e fidelidade as rubricas (que a Mão de Deus os guardem).
        Assim fazemos um convite a todos para TODOS os domingos vir assistir o Santo Sacrifício da Missa na forma Extraordinária do Rito Romano na Igreja de S. Benedito no centro de Maceió as hs e também divulguem para muitos outros possam também beber desta fonte.

        Ave Maria Immaculata

"POR TODOS OU POR MUITOS?"

 

"A Santa Sé decidiu que na nova tradução do Missal as palavras 'pro multis' devem ser traduzidas enquanto tais e não, ao mesmo tempo, serem interpretadas. A simples tradução 'por muitos' deve substituir o interpretativo 'por todos'. "

Papa Bento XVI

 

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Carta de Bento XVI à Conferência Episcopal Alemã a respeito do “Pro Multis”: “O respeito pela palavra de Jesus é a razão para a formulação da oração”.

Excelência! Venerável, caro senhor Arcebispo!

Durante a sua visita de 15 de março de 2012, o senhor me fez saber que, com relação às palavras “pro multis” no canon da Missa, ainda não existe um consenso entre os bispos de língua alemã. Agora parece existir o perigo de que, com o próximo e esperado lançamento do “Gotteslob” ["Livro de Orações"], alguns locais de língua alemã mantenham a tradução “por todos”, ainda que a Conferência dos Bispos tenha concordado em usar o “por muitos”, como é desejo da Santa Sé. Eu tinha lhe prometido que me pronunciaria por escrito sobre esta séria questão para evitar uma divisão no nosso mais íntimo local de oração. A carta, que eu envio através do senhor aos membros da Conferência Episcopal Alemã, também será enviada aos outros bispos de língua alemã.

Permita-me primeiro dizer algumas palavras acerca da origem do problema. Nos anos 60, quando o Missal Romano foi traduzido para o alemão sob a responsabilidade dos bispos, houve um consenso exegético de que as palavras “muitos” e “muito” encontradas em Is. 53, 11 em diante, era uma expressão hebraica que indicaria a comunidade, o “todos”. A palavra “muitos” na narração de Mateus e de Marcos também foi considerada um semitismo a ser traduzido como “todos”. Isto também tinha relação direta com o texto latino que seria traduzido, em que o “pro multis” nas narrações do Evangelho se referiam a Isaías 53 e deviam, portanto, ser traduzido como “por todos”. Este consenso exegético se esfacelou; ele não mais existe. Na tradução alemã da Sagrada Escritura, a narração da Última Ceia diz: “Este é meu Sangue, o Sangue da Aliança, que é derramado por muitos” (Marcos 14, 24, cf. Mateus 26, 28). Isto indica algo muito importante: a exposição do “pro multis” como “por todos” não foi uma tradução pura, senão uma interpretação que foi e continua sendo razoável, mas já é mais que tradução e interpretação.

Esta mistura de tradução e de interpretação pertence, em retrospecto, aos princípios que, imediatamente após o Concílio, nortearam a tradução dos livros litúrgicos para o vernáculo. Entendeu-se quão longe a Bíblia e os textos litúrgicos estavam ausentes da linguagem e do pensamento do homem moderno, de modo que mesmo traduzidos eles permaneceriam largamente incompreensíveis aos participantes do culto divino. Houve um novo empenho para que os textos sagrados fossem revelados, nas traduções, aos participantes da celebração, mas ainda assim eles permaneceriam alijados de seu mundo, e agora sim seriam ainda mais visíveis nesse alijamento. Sentiam-se não somente justificados, mas mesmo obrigados a misturar a interpretação na tradução para que, desse modo, se encurtasse o caminho para o povo, cujas mentes e corações poderiam ser alcançados através dessas palavras.

Até certo ponto, o princípio de uma substantiva, mas não necessariamente justificada tradução literal dos textos-fontes permanece. Quando eu rezo as orações litúrgicas em várias línguas, noto que é frequentemente difícil encontrar um meio termo entre as várias traduções e que o texto base subjacente muitas vezes permanece visível somente quando visto de longe. Além disso, somam-se as debilitantes banalizações que são verdadeiras perdas. Por causa disso, através dos anos, ficou cada vez mais claro para mim que o princípio da equivalência estrutural, mas não literal, enquanto regra de tradução, tem seus limites. Seguindo tais raciocínios, a instrução de tradução Liturgiam authenticam, publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé no dia 28 de março de 2001, mais uma vez colocou a tradução literal em destaque, mas, é claro, sem impor um único vocabulário. A importante idéia que se encontra na base dessa instrução já se encontra expressa na distinção entre tradução e interpretação, como escrevi acima. Isto é necessário tanto para a Palavra das Escrituras quanto para os textos litúrgicos. Por um lado, a Palavra sagrada deveria, se possível, apresentar-se a si mesma, mesmo com a estranheza e perguntas que ela contém em si; por outro lado, à Igreja foi dada a missão de interpretar, dentro dos limites do nosso entendimento, a Boa Nova que o Senhor quis que recebêssemos. Uma tradução empática também não pode substituir a interpretação: faz parte da estrutura da Revelação que a Palavra de Deus seja lida na comunidade interpretativa da Igreja, que a fidelidade e a compreensão sejam combinadas. A Palavra deve existir como ela mesma, em sua própria forma, ainda que estranha; a interpretação deve ser medida pela fidelidade à própria Palavra, mas, ao mesmo tempo, ser acessível ao ouvido moderno.

Neste contexto, a Santa Sé decidiu que na nova tradução do Missal as palavras “pro multis” devem ser traduzidas enquanto tais e não, ao mesmo tempo, serem interpretadas. A simples tradução “por muitos” deve substituir o interpretativo “por todos”. Gostaria de destacar que tanto em Mateus como em Marcos não há artigo, de modo que não é “pelos muitos”, mas “por muitos”. Tendo entendido, como espero, a decisão fundamental sobre a ordenação da tradução e da interpretação, compreendo que isso represente um enorme desafio para todos os que têm a missão de interpretar a Palavra de Deus na Igreja. Sendo que, para os fiéis regulares, isso parecerá, quase inevitavelmente, uma ruptura no coração daquilo que é mais sagrado. Perguntarão: Cristo não morreu por todos? A Igreja mudou seu ensinamento? Isso é possível e permitido? Esta é uma reação contra a herança do Concílio? Todos sabemos, pela experiência dos últimos 50 anos, quão profundamente as mudanças nas formas e textos litúrgicos afetam as pessoas; quanto uma mudança num texto tão central afeta as pessoas. Embora este seja o caso, há muito se defendeu que a tradução de “muitos” fosse precedida por uma profunda catequese sobre a diferença entre tradução e interpretação, uma catequese na qual os bispos devem informar seus padres que, por sua vez, devem explicar de forma clara para os fiéis do que se trata a questão. Esta catequese é um pré-requisito básico antes que a nova tradução entre em vigor. Até onde eu saiba, uma tal catequese ainda não foi dada nas localidades de língua alemã. A intenção da minha carta, caros irmãos, é de pedir urgentemente que uma tal catequese seja estabelecida, para que então seja discutida com os padres e seja imediatamente disponibilizada aos fiéis.

Tal catequese deve primeiramente explicar porque, depois do Concílio, a palavra “muitos” foi traduzida por “todos” no Missal: para claramente expressar a universalidade da salvação desejada por e advinda de Jesus. Isso leva à seguinte pergunta: se Jesus morreu por todos, por que as palavras da Última Ceia dizem “por muitos”? Além disso, Jesus, de acordo com Mateus e Marcos, disse “por muitos”, mas de acordo com Lucas e são Paulo, disse “por vós”. Tal fato estreita ainda mais a questão. Mas, a partir daqui, também podemos chegar a uma solução. Os discípulos sabem que a missão de Jesus os transcende e ao grupo dos apóstolos; que Ele veio para reunir todos os filhos de Deus dispersos (conforme Jo 11, 52). Este “por vós” torna a missão de Jesus bastante concreta para os presentes: eles não são algum elemento anônimo de alguma vasta totalidade, mas todos sabem que o Senhor morreu particularmente por mim, por nós. “Por vós” alcança o passado e o futuro; eu fui nomeado muito pessoalmente; nós, que aqui estamos, somos conhecidos [pessoalmente] por Jesus. Nesse sentido, “por vós” não é uma constrição, mas uma especificação que é válida para cada comunidade que celebra a Eucaristia, que une a si mesma ao amor de Cristo. Nas palavras da consagração, o Canon Romano uniu as duas leituras bíblicas e lê: “por vós e por muitos”. Na reforma litúrgica, esta fórmula foi levada a todas as orações.

Mas, novamente: por que “por muitos”? O Senhor não morreu então por todos? O fato de Jesus Cristo, enquanto Filho de Deus encarnado, ser o Homem para todos os homens, o novo Adão, pertence às certezas básicas da nossa fé. Gostaria de lembrá-los de somente três passagens das Escrituras: Deus deu Seu Filho “por todos nós”, Paulo escreve na Carta aos Romanos (Rom, 8, 32). “Um só morreu por todos”, São Paulo diz na Segunda Carta aos Coríntios, sobre a morte de Jesus (1Cor 5, 14). Jesus “Se deu em resgate por todos”, diz a 1ª Carta a Timóteo (1Tim 2, 6). Mas então podemos nos perguntar novamente: quando tudo isso é tão claro, por que então a Oração Eucarística diz “por muitos”? Bem, a Igreja tomou esta formulação da narrativa da instituição do Novo Testamento. Ela assim o faz por respeito à Palavra de Jesus, para permanecer fiel a Ele também na Palavra. O respeito pela palavra de Jesus é a razão para a formulação da oração. Mas então perguntamos: por que o próprio Jesus falou isso? O verdadeiro motivo para isso é que Jesus, dessa forma, Se revelou como o servo de Deus de Is. 53, Se identificou como a forma que a palavra do profeta esperava. Respeito da Igreja pela Palavra de Jesus, fidelidade a Jesus Palavra das Escrituras: nesta dupla fidelidade se encontra a base sólida para a fórmula “por muitos”. É nesta cadeia de reverente fidelidade que encontramos a tradução literal da Palavra das Escrituras.

Como dissemos anteriormente, o “por vós” na tradição Luca-Paulina não constringe, senão especifica, de modo que podemos afirmar que a dialética de “muitos”- “todos” tem seu próprio significado. “Todos” existe num nível ontológico – o ser e a ação de Jesus inclui toda a humanidade, passada, presente e futura. Mas, de fato, na comunidade concreta daqueles que celebram a Eucaristia, isso envolve somente “muitos”. Deste modo, podemos ver um significado triplo no ordenamento de “muitos” e de “todos”. Em primeiro lugar, deveria significar para nós, que podemos sentar à Sua mesa, surpresa, alegria e gratidão pelo fato d’Ele ter nos chamado, de estarmos com Ele e de podermos conhecê-Lo. “Graças ao Senhor, que por misericórdia me chamou à Sua Igreja …”. Em segundo lugar, é também uma responsabilidade. Como o Senhor alcança os outros – “todos” – a Seu próprio modo permanece um mistério. Mas, sem dúvida, é uma responsabilidade ser chamado para Ele e para Sua mesa, de modo que eu possa ouvir: por vós, por mim Ele sofreu. Os muitos carregam a responsabilidade por todos. A comunidade dos muitos deve ser a luz das velas, a cidade nas montanhas, fermento para todos. É um chamado que se aplica a todos pessoalmente. Os muitos, que somos nós, devem conscientemente praticar sua missão em responsabilidade pela totalidade. Finalmente, podemos adicionar um terceiro aspecto. Na sociedade moderna, temos a impressão que estamos longe de ser “muitos”, senão bem poucos – um pequeno número que continuamente diminui. Mas não – nós somos “muitos”: “Depois disso, eis que vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” nos diz o Apocalipse de João (Ap 7, 9). Somos muitos e representamos todos. Dessa maneira ambas as palavras, “muitos” e “todos” devem ficar juntas e se relacionam entre si na responsabilidade e na promessa.

Excelência, amados irmãos bispos! Com o que escrevi acima, desejei indicar o conteúdo básico da catequese que deve preparar, o quanto antes, padres e leigos, para a nova tradução. Espero que tudo isso possa servir para uma celebração mais profunda da Eucaristia e se torne parte de uma grande missão que se nos desvela no “Ano da Fé”. Espero que esta catequese seja logo apresentada para que se torne parte de uma renovação litúrgica pela qual o Concílio trabalhou desde sua primeira sessão.

Com minhas bênçãos Pascais, permaneço no Senhor,
Benedictus PP XVI



Fonte: Frater in Unum

quinta-feira, 10 de maio de 2012

" ACÓLITOS E 'ACÓLITAS' DA SANTA MISSA?"

Em síntese: A Santa Sé não se opõe a que meninas e senhoras sirvam ao altar na qualidade de acólitas (coroínhas). Todavia lembra que sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar por parte dos meninos. Onde, por licença do Sr, Bispo, haja meninas ou senhoras servindo ao altar, recomenda-se que esta praxe seja bem explicada aos fiéis à luz das normas da Igreja. Ademais a autorização para servir ao altar há de ser concedida temporariamente pelo Sr. Bispo, podendo este renovar ou não a concessão feita…

Vêm-se multiplicando os casos em que meninas e senhoras servem ao altar por ocasião da Santa Missa. Esta praxe tem suscitado a interrogação sobre o fundamento legal que a sustente. Em vista disto, a legislação canônica vigente a respeito será explanada nas páginas sub­seqüentes.

1.  Uma Declaração da Santa Sé

O  Comunicado Mensal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, 482 (junho-julho de 1994), pp. 1118s, traz a seguinte carta:

CONGREGAÇÃO DO CULTO DIVINO E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS
FUNÇÕES LITÚRGICAS

Comunicação da Congregação do Culto Divino a respeito das funções litúrgicas confiadas aos leigos, de acordo com a resposta do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos.

Roma, 15 de março de 1994.
Protoc. 2482/93

A Sua Excelência Reverendíssima
Dom Luciano P. Mendes de Almeida S.J.
Presidente da CNBB

Excia. Reverendíssima,

Julgo ser meu dever comunicar aos Presidentes das Conferências Episcopais que será brevemente publicada em “Acta Apostolicae Sedis” uma Interpretação autêntica do cân. 230 § 2 do Código do Direito Canônico.

Como é sabido, pelo referido cân. 230 § 2, estabelecia-se que:

“Laici ex temporanea daputatione in actionibus liturgicis munus lectoris implere possunt; item omnes laici muneribus commentatoris, cantoris aliisve ad norman iuris fungi possunt”.¹

Ultimamente foi perguntado ao Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos se as funções litúrgicas, que, segundo o estipulado no citado cânon, podem  ser confiadas aos leigos, poderiam ser desempenhadas indistintamente por homens e mulheres e se, entre tais funções, poder-se-ia incluir também a de servir ao altar, em pé de igualdade com as outras funções indicadas pelo mesmo cânon.

Na reunião de 30 do Junho de 1992, os Padres do Pontifício Conselho para a interpretação dos Textos Legislativos examinaram a seguin­te dúvida, que lhes fora posta:

“Utrum inter munera liturgica quibus laici, sive viri Sive mulieres, iuxta C. I. C. can 230 §2, fungi possunt, adnumerari etiam possit servitium ad altare”.²

A resposta foi a seguinte: “Afirmative et iuxta instructiones a Sede Apostolica dandas”.³

Posteriormente o Sumo Pontífice João Paulo II na Audiência con­cedida em 11 de julho de 1992 ao Exmo. a Revmo. Mons. Vincenzo Fagiolo, Arcebispo emérito de Chieti-Vasto e Presidente do mencionado Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos, confirmou tal decisão e ordenou que fosse promulgada. O que brevemente acontecerá.

Ao comunicar a essa Conferência Episcopal quanto fica dito, sinto o dever de precisar alguns aspectos do cân. 230 § 2 e da sua interpretação autêntica:

1) O Cân. 230 § 2 tem caráter permissível e não impositivo: “Laici (…) possunt”. Portanto, a autorização dada a este propósito por alguns bispos não pode minimamente ser invocada como  obrigatória para os outros Bispos.

De fato, compete a cada Bispo em sua diocese, ouvido o parecer da Conferência Episcopal, emitir um juízo prudente sobre como proceder para um regular incremento da vida litúrgica na própria diocese.

2) A Santa Sé respeita a decisão que alguns Bispos, por determinadas razões locais, adotaram, com base ao previsto no cân. 230 § 2, mas contemporaneamente a mesma Santa Sé recorda que sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar pelos meninos. Isto, como se sabe, permitiu inclusive um consolador desenvolvimento das vocações sacerdotais. Portanto, sempre existirá a obrigação de continuar a sustentar tais grupos de coroinhas.

3) Se, em qualquer diocese, com base no cân. 230 § 2, o Bispo permitir que, por razões particulares, o serviço do altar seja prestado também por mulheres, isso deverá ser bem explicado aos fiéis, à luz da norma citada, e recordando que ela encontra já uma larga aplicação no fato de as mulheres desempenharem muitas vezes o serviço de leitor na liturgia e poderem ser chamadas também a distribuir a Sagrada Comunhão, como Ministros Extraordinários da Eucaristia, e realizarem outras funções, como previsto no § 3 do mesmo cân. 230.

4) Deve, ainda, ficar claro que os referidos serviços litúrgicos dos leigos são cumpridos “ex temporanea deputatione” a critério do Bispo, sem que haja qualquer direito a desempenhá-los por parte dos leigos, homens ou mulheres que sejam.

Ao comunicar quando referido, esta Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos quis cumprir o mandato recebido do Sumo Pontífice de dar instruções para ilustrar o cân. 230 § 2 do C.I.C. e a interpretação autêntica desse cânon, que proximamente será publicada.

Assim, os Bispos poderão desempenhar melhor a sua missão de serem, na própria diocese, moderadores e promotores da vida litúrgica, no âmbito das normas vigentes na Igreja Universal.

Em profunda comunhão com todos os membros dessa Conferência, tenho o prazer de me professar.

Card. Javierre

Prefeito da Congregação do Culto Divino
2. Comentando…

A declaração da Congregação para o Culto Divino sugere alguns comentários:

1) Até nossos dias não foi publicada em Acta Apostolicae Sedis (periódico oficial da Santa Sé) a prometida interpretação autêntica do cânon 230 § 2 por parte do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos legislativos. Estão, pois, vigentes as normas emitidas pela Congregação para o Culto Divino, que assim “cumpriu o mandato recebido do Sumo Pontífice”.


Essas normas referem que:

2) A autorização para servir ao altar é dada pelo Sr. Bispo em caráter temporário, podendo ser renovada ou não a critério do prelado diocesano.

3) A Santa Sé respeita a autorização concedida pelos Bispos a meninas e senhoras para que sirvam ao altar… Deseja, porém, que a praxe seja devidamente explicada aos fiéis a fim de se evitar qualquer mal-entendido entre estes. Mesmo quando não é acólita da S. Missa, a mulher não é excluída do serviço litúrgico, pois lhe podem tocar as funções de leitora, de ministra extraordinária da Comunhão Eucarística e outras mencionadas no cânon 230 § 3.¹

4) A Santa Sé deseja que se mantenha o costume tradicional e oportuno de chamar meninos para acolitar a S. Missa, pois tal prática têm surgido vocações sacerdotais. O texto vai mais longe quando diz que “sempre existirá a obrigação de continuar a sustentar tais grupos de coroínhas” (grifo nosso).

5) Diante da situação assim configurada cada Bispo é livre para proceder em sua diocese segundo melhor lhe parecer, tendo sempre em vista a digna celebração da S. Liturgia.

Estêvão Bettencourt O.S.B.

¹ “Os leigos podem desempenhar, por encargo temporário, as funções de leitor nas ações litúrgicas; igualmente todos os leigos podem exercer o encargo de comentador de cantor ou outros, de acordo com o Direito” (Nota da Redação).

² “Entre as funções litúrgicas que aos leigos, homens e mulheres, é lícito exercer de acordo com o cânon 230 § 2, pode-se incluir também o serviço ao altar?”. (N.d.R.).

³ “Afirmativamente, de acordo com as instruções a ser dadas pela Sé Apostólica” (N.d.R.).

¹ Cânon 230 § 3: “Onde a necessidade da Igreja o aconselhar, podem também os leigos, na falta de ministros, mesmo não sendo leitores ou acólitos, suprir alguns de seus ofícios, a saber: exercer o ministério da palavra, presidir às orações litúrgicas, administrar o Batismo e distribuir a Sagrada Comunhão, de acordo com as prescrições do Direito”.

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb.
Nº 457, Ano 2000, Pág. 285


FONTE: PRESBITÉROS

quinta-feira, 5 de abril de 2012

UM CULTO ANTROPOCENTRICO?!

Pax vobiscum.

Hoje que nos celebramos a instituição da Eucaristia, da Santa Missa, o Culto perfeito que é centro na Nova e Eterna Aliança, nós trazemos de volta uma postagem nossa que vai nos ajudar na meditação da atual situação das nossas celebrações. Estamos em processo de continuidade, como o santo Padre tanto tem nos pedido? Ou estamos num grave e quase irreversível processo de ruptura?

Bem, segue o texto. Por fim faça sua análise e tome suas conclusões, mas permaneça com "Pedro".

Ave Maria Immaculata.

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Pax te bonum
Amados em Cristo Jesus, gostaríamos de deixar para vocês uma reflexão.
Por qual motivo nossas celebrações (nosso culto) têm sido tão antropocêntricas? Por que temos dado tamanha importância para o que “o povo gosta”, que quase não falamos naquilo que Deus quer que façamos? Não é que vamos desprezar a comunidade reunida, mas que esta deve esta reunida entorno de Deus e não em torno de si mesmo.
Lembremos que sempre Deus determinou como queria que o adorássemos, foi assim com Abraão, com Moisés, Davi com o templo, até as roupas para esta adoração o Senhor determinou como deveria ser. Nosso Senhor não fez diferente quis se “fizesse” em sua memória, mas uma memória infinitamente maior que recordação, sua perpetuação.
Como bois e bodes já não eram suficientes para placar a “ira”, expressar a adoração do povo ou agradecer pela Sua infinita bondade, Nosso Senhor vem e Ele mesmo nos ensina como devemos lhe prestar culto – oferecendo a Perfeita Vitima, só assim o sacrifício poderia ser realizado uma vez por todas “para remissão dos pecados” já que as vitimas antes oferecidas por mais perfeita que parecesse ser, como mandava a lei, não se aproximava da infinita perfeição D’aquele que recebia o culto. Então Ele mesmo Se oferece, o Santo dos santos, a Vitima verdadeiramente Perfeita Se oferece a Si mesmo no Altar da Cruz. Mas como a humanidade decaída ainda permanecia manchada pelo pecado e com isso continuava pecadora este Supremo Sacrifício deveria permanecer para manter esta humanidade na amizade com Deus “até a consumação dos tempos” até a eterna e triunfante Jerusalém celeste.
“Mais fácil o mundo sem sol que sem o Santo Sacrifício da Missa”S. Padre Pio
É nesta perspetiva que a Sagrada Liturgia da Igreja se desenvolveu de forma orgânica e continuada. Como em outra hora o Santo Espírito de Deus conduziu o povo da antiga aliança, agora conduz e inspira sua Nova Aliança com “todas as gentes” a sua Santa Igreja, sua noiva amada amando-a sem reservas “até a morte de cruz”.

Lembremos que o sacerdote não celebra para o povo, mas com o povo (mesmo que os “espetáculos” que assistimos, na maioria das vezes, é sim um culto para o povo porque tenta agradar o povo e massagear o ego do celebrante que vira popstar. E Deus nessa história?...). Se a intenção é “aplacar” as vontades dos homens este culto se torna idolatria.
Mas hoje nossas celebrações estão centradas no homem, Deus tem perdido lugar até no seu próprio sacrifício, passando a ser mero coadjuvante de algo que realmente parece só um espetáculo ao gosto do cliente.
Para continuarmos esta reflexão deixo um texto sobre a orientação da celebração do livro “A reforma da Liturgia Romana” do Monsenhor Klaus Gamber Fundador do Instituto Litúrgico de Ratisbona, cuja postura em defesa da Sagrada Liturgia o Cardeal Ratzinger nominava de “intrepidez de uma verdadeira testemunha”
Peço que os irmãos leiam com muita calma, já que o texto é um tanto longo, mas se possível imprimam para ler com todo zelo e em espírito orante.
Que a Virgem do Carmelo vos acompanhe nesta leitura.
Ave Maria Immaculata


A CELEBRAÇÃO DE FRENTE PARA O POVO

Do ponto de vista litúrgico e sociológico

Em suas “Richtlinien für die Gestalung des Gotteshauses aus Geist des rómischen Liturgie”
Instruções para a adaptação das igrejas ao espírito da liturgia romana) de 1949, Th. Klauser adianta que “certos sinais deixam entrever que, na Igreja do futuro, o sacerdote se colocará como antes, detrás do ltar, e celebrará com o rosto voltado para o povo, como se faz ainda em certas basílicas romanas; o desejo, que se percebe por todas as partes, de ver mais claramente expressada a comunidade da mesa eucarística, parece exigir esta solução”.
Isto que Klauser apresentava então como algo desejável se converteu, passado o tempo, em norma em quase todas as partes. Pensa-se ter feito reviver um costume da Igreja primitiva. Entretanto, como vamos ver, pode-se provar com toda a certeza que jamais existiu, nem na Igreja do Oriente, nem na do Ocidente, uma celebração “versus populum”, mas que unicamente todos se voltavam para o Oriente para orar.
Foi Martinho Lutero o primeiro a pedir que o sacerdote no altar se voltasse para o povo. Mas pelo que se sabe, nem ele mesmo obedeceu a esta exigência, e somente algumas das Igrejas protestantes o adotaram, sobretudo entre os reformados. Só recentemente a celebração “versus populum” se converteu num costume quase geral na Igreja Romana, enquanto que as Igrejas Orientais, e com freqüência também as comunidades protestantes, continuam com a prática existente até agora. Na Igreja Oriental, o costume de celebrar “versus populum” nunca existiu, nem existe uma palavra para designá-la. O espaço diante do altar suscita o máximo respeito. Só o sacerdote (e ao seu lado o diácono) tem direito de estar ali. Detrás da iconostase só o sacerdote tem o direito de passar diante do altar.
É de notar que, na concelebração, que, como é sabido, goza no Oriente de uma grande tradição, o celebrante principal normalmente dá as costas à assembléia, enquanto que os sacerdotes concelebrantes se colocam diante do altar e à sua esquerda. Nunca se colocam detrás do altar (o lado do Oriente). Não é necessário precisar que se trata quase sempre de uma concelebração “cerimonial”, tradicional e muito corrente no Oriente até hoje, no transcurso da qual os sacerdotes que rodeiam o celebrante principal (o bispo), não pronunciam com este as palavras da consagração. Por isto e no sentido estrito da palavra, há um só celebrante. O costume de celebrar de frente par o povo apareceu entre nós nos “Jugendbewegung” pelos anos vinte, quando se começou a celebrar a eucaristia no seio de grupos pequenos. O movimento litúrgico e, antes dele, Pius Parsch, propagaram este costume. Acreditavam reviver assim uma tradição da Igreja primitiva, pois tinham observado que, em algumas basílicas romanas, o altar também estava voltado “versus populum”. Porém não se deram conta de que nestas basílicas, contrariamente a outras igrejas, a abside não estava no Oriente, mas a entrada.
Na Igreja primitiva e na Idade Média, o que determinava a posição com relação ao altar era poder voltar-se para o Oriente durante a oração. Por isso Santo Agostinho declara: “Quando nos levantamos para orar, nos voltamos para o Oriente, ali de onde sol se levanta. Não como se Deus estivesse ali e tivesse abandonado as outras regiões do universo, (...) mas com o objetivo de exortar o espírito a se voltar para uma natureza superior, a saber, Deus”. Estas palavras do Africano mostram que, depois da homilia, os cristãos se levantavam para a oração que seguia e se voltavam para o Oriente. Santo Agostinho não cessa de mencionar ao fim de suas alocuções este costume de voltar-se para o Oriente para orar, utilizando sempre, a modo de fórmula, a expressão “conversi ad Dominum”, (voltados para o Senhor).
Em seu livro fundamental “Sol salutis”, Dölger está persuadido de que a resposta do povo “Habemus ad Dominum” ao convite do celebrante “Sursum Corda”, significa também que estão voltados para o Oriente; tanto mais que em certas liturgias orientais se tem previsto nesse mesmo tempo um convite do diácono para que se faça este giro. É o caso da liturgia copta de São Basílio onde, no princípio da anáfora, se diz: “Aproximai-vos, homens, ponde-vos de pé com respeito e olhai para o Oriente!”, ou também na liturgia egípcia de São Marcos, onde existe um convite semelhante (“Olhai para o Oriente”) colocada no meio da oração eucarística, antes da transição do “Sanctus”. A breve descrição da liturgia dada pelo segundo livro das “Constituições apostólicas” do final do séc. IV, prescreve também o colocar-se de pé para a oração e que se voltem para o Oriente. No livro oitavo se encontra reproduzido o convite que o diácono faz: “Ponde-vos de pé para o Senhor!”. Por conseguinte voltar-se para o Senhor ou para o Oriente era a mesma coisa para a Igreja primitiva.
Como Dölger demonstrou, o costume de orar em direção ao sol nascente remonta a tempos imemoráveis e era costume tanto entre os judeus como entre os pagãos. Os cristãos rapidamente o adotaram. Assim, desde o ano 197, a oração para o Oriente é coisa evidente para Tertuliano. Em seu “Apologética” (cap.16) afirma que os cristãos “oram em direção ao sol nascente”. Isto era considerado um simbolismo do Senhor subindo ao céu, de onde voltará. Para que os raios do sol nascente pudessem penetrar na igreja durante a celebração da missa, em Roma e às vezes em outros lugares, dispuseram a entrada da Igreja para o leste, devendo deixar as portas abertas; então a oração se fazia obrigatoriamente em direção à porta. Neste caso, como já temos dado a entender, o celebrante se situava atrás do altar para poder, durante o sacrifício, dirigir o olhar para o Oriente. O que não significava, como se poderia crer, uma celebração “versus populum”, já que os fiéis se voltavam também para o Oriente para orar. Não havia, pois, nestas basílicas um cara a cara do sacerdote e do povo durante a celebração eucarística. O povo se colocava de ambos os lados da nave, os homens de um lado e as mulheres de outro e geralmente se colocavam cortinas entre as colunas. A nave servia para a entrada solene do celebrante e seus acólitos; também o coro tinha seu lugar reservado.
Mesmo porém no caso hipotético de que nas antigas basílicas romanas os fiéis não estivessem voltados para a entrada durante a oração sacrifical, de modo algum teria existido um cara a cara do sacerdote e do povo, já que o altar estava escondido por cortinas durante a oração eucarística. E estas não eram abertas de novo, segundo testemunho expresso de São João Crisóstomo, até a litania diaconal. Assim, nas basílicas onde a entrada, e não a abside, se encontrava ao leste, os fiéis não tinham o rosto voltado para o altar. Tampouco lhe davam as costas, o que, segundo a concepção antiga, seria impossível, dada a santidade do altar. Como os fiéis estavam nas naves laterais, tinham o altar à sua direita ou à sua esquerda. Formavam, aberto ao Oriente, um semicírculo, em cuja parte mais alta se situava o celebrante e seus assistentes.
E o que acontecia nas igrejas onde a abside estava ao oriente? Isso dependia do lugar onde se situavam os assistentes à missa. Se rodeavam o altar, situado na abside, formando um semicírculo, osemicírculo se abria para o Oriente. O liturgo34 simplesmente não se colocava na parte alta do semicírculo, mas em seu centro. Destacava-se assim mais visivelmente dos outros participantes. Por outro lado, na idade média, o povo se colocava quase sempre na nave central da igreja, servindo as laterais para as procissões. Esta disposição detrás do sacerdote celebrante comportava um elemento dinâmico, como se o povo de Deus avançasse em cortejo rumo à terra prometida.
A orientação indicava a meta do cortejo: o Paraíso perdido que se buscava para o leste (cf. Gn 11,8). O celebrante e seus assistentes formavam a cabeça do cortejo. O semicírculo aberto, que foi a primeira disposição para a oração dos assistentes à missa, manifestava, ao contrário da dinâmica da procissão, um princípio estático: a espera do Senhor que subiu ao céu na direção do Oriente (cf. Sl 67,34) e que regressará (cf. At 1,11). O semicírculo aberto estava pensado para isto: quando se espera a uma personalidade importante, se abrem as filas e se forma assim um semicírculo para acolher em seu centro aquele que se espera.
São João Damasceno expressa a mesma idéia em seu “De fide orthodoxa”, IV,12: “Quando ele subiu aos céus, foi elevado para o oriente, e dessa forma os discípulos o adoraram, e assim ele retornará, do mesmo modo que eles o viram subir ao céu (cf. At 1,11), como o Senhor mesmo disse: ‘Porque, como o relâmpago parte do oriente e ilumina até o ocidente, assim será a volta do Filho do Homem’ (Mt 24,27).
Esperando por ele, prostramo-nos voltados para o Oriente. Isto é uma tradição não escrita, derivada dos Apóstolos35. É verdade que o homem moderno, como diz Nussbaum, quase não entende que se tenha que voltar para o Oriente para rezar. O sol nascente não tem para nós a mesma força simbólica que tinha para o homem da antigüidade. Em troca, é diferente quando se trata de tomar uma mesma orientação pelo sacerdote e o povo quando rezam a Deus. Que todos os fiéis devam estar, segundo as palavras de Santo Agostinho citadas anteriormente, “conversi ad Dominum”, é evidentemente uma exigência atemporal e tem, ainda hoje, um sentido. Como diz Kunstmann, isto vem a ser “buscar com o olhar o lugar onde se encontra o Senhor”.
Vamos para o aspecto sociológico da celebração “versus populum”. Em sua obra 36“Liturgie als Angebot” (A liturgia à venda?), pensa que o sacerdote voltado para o povo se pode considerar como “o símbolo mais perfeito do novo espírito da liturgia”. E acrescenta: “o costume em uso até há pouco fazia o sacerdote parecer chefe e representante da comunidade, que fala a Deus em nome dela, como Moisés no Sinai: a comunidade dirige uma mensagem a Deus (oração, adoração, sacrifício) e o sacerdote, como chefe, transmite esta mensagem e Deus a recebe”.
Com a prática moderna, continua Siebel, o sacerdote olhando para o povo “praticamente já não aparece como representante da comunidade, mas apenas como um ator que, em todo caso na parte central da Missa, representa o papel de Deus, um pouco como em Oberammergau ou outras representações da Paixão”. E conclui: “todavia se nessa nova maneira o sacerdote se converte num ator, encarregado de interpretar Cristo em seu cenário, então Cristo e o sacerdote parecem, por causa desta restituição teatral da ceia, identificar-se um com o outro de maneira um tanto inaceitável”. Siebel explica assim a boa vontade com a qual quase todos os sacerdotes adotaram a celebração “versus populum”: “a desorientação considerável e a solidão dos sacerdotes fez-lhes buscar novos motivos onde apoiar seu comportamento. Entre estes o suporte emocional, a comunidade reunida diante do sacerdote e que o procura. Porém imediatamente brota daí uma nova dependência: a do ator diante do seu público”.
O mesmo, K. G. Rey declara em seu estudo “Pubertütserscheinungen in der katholischen Kirche” (Manifestações púberes37 na Igreja católica): “até então o sacerdote oferecia o sacrifício como intermediário anônimo, como cabeça da comunidade, voltado para Deus e não para o povo, em nome de todos e com todos; as orações que recitava lhes eram prescritas... hoje em dia este sacerdote vem ao nosso encontro como um homem, com suas particularidades humanas, seu estilo de vida pessoal e seu olhar voltado para nós. Para muitos sacerdote é uma tentação, contra a qual não são capazes de lutar, a de vender sua própria personalidade. Alguns sabem, com maior ou menor astúcia, explorar a situação em seu proveito. Suas atitudes, sua mímica, seus gestos, todo o seu comportamento atrai os olhares sobre eles por suas repetidas observações, diretivas e também pelas suas palavras de acolhida ou de despedida... O êxito que assim conseguem constitui para eles a medida de seus poderes e conseqüentemente a norma de sua segurança”.
Em sua obra “Liturgie als Angebot”, Siebel declara todavia, a propósito do desejo de Klauser citado mais acima, de ver “mais claramente expressada a comunidade da mesa eucarística” pela celebração “versus populum”: “A reunião da assembléia ao redor da mesa da Ceia (desejada por Klauser) pouco contribui para reforçar a consciência comunitária. Com efeito, somente o celebrante se encontra diante da mesa e, além disso, de pé. Os outros participantes do ágape estão sentados mais ou menos longe na sala do espetáculo”. Ainda mais, segundo Siebel: “Como regra geral, a mesa está posta longe dos fiéis, sobre um estrado, de maneira que não é possível fazer reviver os estreitos laços que existiam na sala onde ocorreu a Ceia. O sacerdote que interpreta seu papel voltado para o povo dificilmente consegue deixar de dar a impressão de representar um personagem que, com toda cortesia, tem alguma coisa a nos propor.
Para diminuir esta impressão cuidou-se de colocar o altar no meio da assembléia. Então não se tem necessidade de ver somente o sacerdote, pois assim se podem ver os assistentes sentados a seus lados ou diante dele. Porém, ao colocar o altar no meio dos fiéis, desaparece a distância entre o espaço sagrado e a assembléia. O recolhimento que antes nascia da presença de Deus na igreja se transforma num pálido sentimento que em nada se diferencia do cotidiano”.
Colocando-se atrás do altar, o olhar voltado para o povo, o sacerdote se converte, do ponto de vista sociológico, num ator, que depende totalmente de seu público e num comerciante que tem algo a vender. E se lhe falta habilidade pode chegar a parecer um charlatão. Outra coisa é a proclamação do Evangelho. Esta proclamação supõe que o sacerdote e o povo estejam cara a cara. Esta é a causa pela qual nas antigas basílicas que tinham a entrada ao leste, os fiéis estavam voltados para a abside (oeste) durante a liturgia da palavra. Ao proclamar a palavra de Deus, o sacerdote aparece realmente como o que tem algo a oferecer.
Durante a homilia, o sacerdote se volta para o povo e o mesmo para o leitor, que deve estar voltado para a assembléia para a leitura das Sagradas Escrituras; o que nem sempre se pôs em prática, certamente por respeito à palavra de Deus.
Todavia, como temos dito, as coisas se apresentam completamente de outra forma na celebração eucarística propriamente dita. Aqui a liturgia não é uma “oferta”38, mas um acontecimento sagrado no curso do qual se unem os céus e a terra e o Deus da graça se inclina a nós. Por isto, para orar, o olhar dos assistentes e do celebrante devem se dirigir para o Senhor. Só no momento da distribuição da comunhão, a ceia eucarística em seu verdadeiro sentido, se dá um cara a cara entre o sacerdote e o comungante. Precisamente estas mudanças na posição do sacerdote no altar durante a missa, têm um sentido simbólico e sociológico verdadeiro. Quando o sacerdote ora e sacrifica tem, como os fiéis, os olhos postos em Deus; e quando proclama a palavra de Deus ou distribui a Eucaristia se volta para o povo. Este principio até agora tinha sido observado constantemente; mas, sobretudo por razões teológicas, sobreveio uma mudança na Igreja romana. O futuro mostrará as graves conseqüências desta mudança.

34 NT. Pelo contexto = sacerdote celebrante.
35 NT. Tradução já feita por mim anteriormente, já que o mesmo trecho é citado pela Instrução para a aplicação das prescrições litúrgicas do Código de Cânones das Igrejas Orientais, do Vaticano. 36 NT. O que segue até “algo a vender”, na página seguinte, é exatamente o trecho de Gamber na Décima primeira pergunta, da obra “Voltados para o Senhor”, também traduzida por mim.
37 NT. No sentido de pré-adolescentes, pueris.
38 NT. No sentido de oferta para a assembléia, por parte do sacerdote.